Ao longo da obra de Reinhart Koselleck o tema do
tempo tem sido quase
que
uma obsseção. Em particular no livro '
Futuro Pasado. Para una
semántica de los tiempos históricos. Em uma era determinada pela força
de uma velocidade luz, pela informação virtual, é inegável que muitos
se perguntam do porque entender a história, o tempo, a
partir daqueles
pressupostos clássicos do passado,
presente e futuro. A impressão que
se tem é que vivemos a morte do passado, o abandono do futuro e a
vitória do império do presente. Assim, para que serve a história, seu
processo, seu conhecimento?
Respondendo, de certa forma a essas questões, Koselleck destaca a
importância da semântica do presente, da necessidade de se proteger
algum olhar sobre aquelas duas outras categorias do tempo, mas
reconhecendo que o ato do historiados, bem como da história como
Um todo é uma necessidade dos indivíduos e de toda e qualquer coletividade
que buscam a construção de uma memória.
Na memória dos fatos singulares, lidos a partir de um olhar da
coletividade, o processo histórico é presença fundamentasl para a
construção da própria individualidade, bem como do outro. Mesmo em um
mundo determinado pelas condições daquilo que se diz ser época de
pós-modernidade, ou modernidade líquida ou mesmo transmodernidade,
Koselleck encontra um espaço possível de sobrevivência ímpar para a
história, bem assim para o instituto do tempo: servem-nos, apenas
talvez, como antítese a fragmentação dos sujeitos, sempre
indivíduos múltiplos, assim como a compreensão sob a história deve ser
a do reconhecimento de múltiplas histórias que devem não conhecer o
passado para entender o futuro possível, mas conhecer o presente pelo
presente, já que o autor deixa explícita a idéia vitoriosa de que em
nossa modernidade, somente o presente é sujeito de sedução.
A escolha da semãntica se deve ao fato de que, influenciado pelas
pesquisas na área da linguagem, particularmente na semiótica e na
semiologia, é com a linguagem que se pode compreender o tempo
histórico, uma vez que é a partir dela, e da tradição que a linguagem
carrega, que conseguimos, na formação de nossa memória, as condições
psíquicas para a nossa existência de ser no mundo. Na linguagem está a
produção de todos os conceitos do tempo, e definí-los é realziar a
possibilidade do devir histórico.
Dessarte, é a partir desse olhar incomum e invulgar que Koselleck
elabora uma crítica contundente àquelas tradicionais teorias
reducionistas que, entendo a história como uma metafísica,
construiram-na como objeto, longe da experiência do sujeito, sempre
histórico, como quer o autor, porque sempre um existencial
temporal.
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